sábado, 22 de agosto de 2020

Entrelaços

 

“Aqui exposta em frente a uma folha em branco, manchada pela taça de vinho, me pergunto por que ainda insisto em me imaginar na sua vida.

  Me pergunto como deixei você escapar ou onde posso ter errado para que afugentasse você.

  Te encontro em cada delimitação minha, te vejo em todos os meus sorrisos, e sinto seu perfume em qualquer pequena metade minha.

  Afastei amigos e amores por tanto comentar de você e do bem que você me faz.

  Desacreditei de tudo que é novo e belo, por achar que seu velho amor pode alegrar meus dias.

  Não desaprendo você, não desconecto do teu eu, não me encontro em outros sentidos que não os teus.

  Desaprumo o meu rumo, e me vejo caminhando sempre em estradas que me levem até você.

  Te ofereço canções, rimas e poemas para estraçalhar meu eu dentro de palavras desconexas.

  Me desarrumo e me desfaço dos planos para quem sabe, em meio a esta bagunça, te encontre.

  O desequilíbrio dos dias, me tornam incapaz de deixar você.

  É uma tormenta de emoções que me bagunçam e me colocam nua perante a vida.

  A força que este amor exerce sobre minha condição mental, me faz Semi Deusa de um amor perdido no tempo.

  Te profano, te invoco e reclamo por você não ouvir minhas lamúrias.

  Me vejo pálida, inócua, distorcida e frágil a sua espera.

  Te vejo como meu oásis, meu bálsamo, minha cura.

  E entre palavras e devaneios te conjugo diariamente, para quem sabe um dia poder beijar tua boca, e como num feitiço, te fazer eterno e presente em minha vida.”

By Sweet Pepper

 

A Gramática do Amor! “

 
 

 “Amor demais?

  Amar a mais?

  Amar verbo intransitivo, como já dizia o poeta.

 De qual parte somos feitos?

 De que amor nos é sujeito?

Amar para restabelecer paz?

Como, se amar, nos é tormenta?

De quantas palavras somos feitos em meio ao caos?

Amar, devaneios de uma alma profunda.
Amor, imperfeitos em sua profundidade.

Amar, amor...de quantas linguagens somos feitos.

Verbos e sujeitos a procura de uma gramática que nos defina.

Que nos sejam significados e nos resignem a vida.

Amar e te encontrar.

Amor em cada palavra de dor.

Não mais intransitivo, mas sim despropositado amor.

Não mais definido e sim inatingível.

De loucuras e insanidades escrevo sobre o amor,

E você em disparate me devolve silêncios obscuros.

Eu de verdade indefiníveis e você de mentiras obsoletas.

Eu sobre amor definitivo, você sobre amar em outro ritmo.

Amar para que seu amor faça sentido.”

By Sweet Pepper